“Dinheiro amaldiçoado”: candidata indígena reclama de verba que chegou na reta final
Pelos valores mais recentes exibidos, as três somam R$ 14.330 em receitas declaradas.

A reta final das eleições de 2026 expõe a diferença entre as campanhas que contam com grandes volumes de recursos e candidaturas que avançam com arrecadações mais modestas. Em Mato Grosso, três mulheres que disputam uma vaga de deputada federal pelo AGIR aparecem nas prestações de contas com valores reduzidos.
Irene Lopes, número 3699, aparece na atualização mais recente consultada com R$ 2.650 em receitas e R$ 2.119,97 em despesas contratadas.
Ysani, nome de urna de Sani Kalapalo, número 3636, registra R$ 11.680 em receitas, sendo R$ 7.265 provenientes de pessoas físicas e R$ 4.415 de financiamento coletivo.
Já Vanda de São Cyrilo Alonso, número 3666, aparece na consulta com R$ 0 em receitas e R$ 0 em despesas contratadas.
Os valores ainda podem sofrer alterações, já que as prestações de contas são atualizadas durante o processo eleitoral.
Ysani reclama de dinheiro que chegou tarde
A situação de Ysani ganhou repercussão após a própria candidata publicar um vídeo nas redes sociais comentando os recursos recebidos para a campanha.
No vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Ysani reclama do momento em que o dinheiro chegou e classifica os recursos recebidos como “amaldiçoados”.
A manifestação foi publicada pela candidata em meio à reta final da campanha. O vídeo está disponível no perfil oficial de Ysani no Instagram.
A fala da candidata, entretanto, deve ser diferenciada do dado oficial da prestação de contas. Na Justiça Eleitoral, o valor registrado na consulta é de R$ 11.680.
Assim, para fins jornalísticos, o número oficial deve ser apresentado como R$ 11.680, enquanto a referência a “pouco mais de R$ 12 mil” deve ser atribuída à própria candidata, caso esse seja o valor mencionado no vídeo.
Irene aparece com R$ 2,65 mil
Irene Lopes apresenta uma das menores arrecadações entre as candidaturas analisadas.
A candidata registra R$ 2.650 em receitas, enquanto o limite de gastos para uma candidatura a deputado federal em Mato Grosso é de R$ 3.176.572,53.
A candidata também afirma que não recebeu recursos do partido. Essa declaração deve ser apresentada separadamente da prestação oficial: o sistema eleitoral registra, até a atualização consultada, R$ 2.650 em receitas.
Vanda ainda não registra receitas
Vanda de São Cyrilo Alonso aparece sem movimentação financeira registrada na consulta utilizada para a matéria.
São R$ 0 em receitas e R$ 0 em despesas contratadas.
O dado, contudo, representa a situação da prestação no momento da consulta e não significa que a candidatura necessariamente terminará a eleição sem movimentação financeira.
AGIR recebeu R$ 3,3 milhões do Fundo Eleitoral
Em âmbito nacional, o AGIR recebeu R$ 3.307.679,85 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026.
O valor, porém, não corresponde ao dinheiro destinado especificamente às candidatas de Mato Grosso. Trata-se da cota nacional recebida pela legenda, que deve distribuir os recursos entre suas candidaturas de acordo com critérios partidários e as regras eleitorais.
O Fundo Eleitoral totaliza cerca de R$ 4,96 bilhões em 2026. Entre as maiores cotas estão PL, PT e União Brasil, com valores na casa das centenas de milhões de reais.
A comparação ajuda a dimensionar a diferença entre o volume de recursos disponível para as maiores legendas e os valores declarados individualmente pelas candidatas do AGIR em Mato Grosso, mas não significa que todo o dinheiro recebido pelos grandes partidos seja distribuído igualmente entre seus candidatos.
Três candidaturas, diferentes cenários
Na fotografia mais recente das prestações consultadas, as três candidatas do AGIR apresentam:
Irene Lopes: R$ 2.650 em receitas.
Ysani/Sani Kalapalo: R$ 11.680 em receitas.
Vanda de São Cyrilo Alonso: R$ 0 registrados.
Pelos valores mais recentes exibidos, as três somam R$ 14.330 em receitas declaradas.
Os números, entretanto, ainda são parciais e podem mudar até a apresentação das contas finais à Justiça Eleitoral.


