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Segunda-feira, 21 de setembro de 2026

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Bispos sobem o tom contra fala de Lula sobre celibato e ordenação de mulheres

Redação Assembleia News2 min de leitura
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Reprodução
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A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as regras internas da Igreja Católica provocou uma reação pública de bispos e parlamentares ligados à comunidade católica. O episódio ganhou força depois que o presidente afirmou que a instituição continuará enfrentando dificuldades enquanto mantiver o celibato sacerdotal e não permitir a ordenação de mulheres como padres e bispos.

A fala ocorreu na quarta-feira (16), durante um encontro de Lula com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e convidados dos Estados Unidos e de Cuba, no Palácio do Planalto.

Durante o evento, Lula comparou a estrutura da Igreja Católica com a de denominações evangélicas e afirmou que a participação das mulheres seria uma das razões para o crescimento das igrejas evangélicas no país.

“Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, bispas, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades”, declarou o presidente.

A declaração provocou reação de Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo da Diocese de Piracicaba (SP). Em vídeo publicado nas redes sociais, o religioso questionou a intervenção de políticos em assuntos internos da Igreja e afirmou que autoridades deveriam concentrar sua atenção nos problemas do país.

“Estamos vendo políticos que tentam dizer o que a Igreja precisa fazer. Falam até de celibato, quando deviam cuidar do país”, afirmou Dom Devair.

O bispo também fez referência às eleições de 2026 e pediu aos fiéis que tenham consciência na escolha dos candidatos.

Outro religioso a reagir foi Dom Adair José Guimarães, bispo de Formosa (GO). Ele também defendeu a autonomia da Igreja para estabelecer suas próprias normas e ensinamentos e criticou a manifestação presidencial sobre questões relacionadas ao sacerdócio e ao celibato.

Frente Católica reage

A repercussão chegou também ao Congresso Nacional. A Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados divulgou, na sexta-feira (18), uma nota de repúdio às declarações de Lula.

O grupo, presidido pelo deputado Luiz Gastão (PSD-CE), afirmou que temas como o ministério ordenado e o celibato fazem parte da tradição e da doutrina da Igreja Católica e defendeu a autonomia das comunidades religiosas para definir sua própria organização.

Na avaliação da Frente, o caráter laico do Estado brasileiro deve garantir liberdade religiosa e respeito às diferentes confissões. O grupo afirmou ainda que autoridades públicas podem dialogar com instituições religiosas, mas sem indicar como elas devem organizar sua vida interna.

A reação coloca a declaração de Lula no centro de um novo debate envolvendo política e religião a poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026.

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